O Barômetro

Faz tempo já. Eu ainda morava no Brasil. No meu tempo de universidade eu costumava colecionar artigos e textos que achava interessantes para usá-los quando me tornasse uma professora. Este foi um que meu irmão encontrou em uma das minhas milhares de revistas. Já o utilizei em uma dinâmica de grupo e foi bem bacana. Não se sabe ao certo a origem da história, mas vale a pena ler…

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito alegando que merecia nota máxima pela resposta a não ser que houvesse uma “conspiração do sistema” contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova que dizia: Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro. A resposta do aluno foi a seguinte:

“Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda, este comprimento será igual a altura do edifício.”

Sem dúvida era uma resposta interessante e de alguma forma correta pois satisfazia o enuinciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima estaria caracterizada uma aprovação no curso de física mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um grande desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

“Vá ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2) gt^2 calcule a altura do edifício.”

Perguntei ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de desocntentamento; talvez inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me de que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

“Ah, sim – disse ele – há muitas outras maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro. Por exemplo:

Num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três determina-se a altura do edifício.

Um outro método básico de medidas, aliás, bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas tem-se a altura do edifício em unidade barométricas.

Um método mais comlexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pênculo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade g. Repetindo-se a operação ao nível da rua e no topo do edifício tem-se dois g’s e a altura do edifício pode ser calculada com base nessa diferença.

Finalmente –  concluiu –  se não for cobrada uma solução física para o problema exitem outras respostas. Por exemplo: pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico e quando ele aparecer diz-se:

Senhor síndico, se o Sr. me disser a altura deste edifício eu lhe darei este barômetro.”

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta esperada para o problema. Ele admitiu que sabia mas estava farto com as tentativas dos professores e da escola de dizer como ele deveria pensar.

 

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