Poetas de rua
Sep 19th, 2008 por Fabiana Honorato
Estava me lembrando de quando eu morava em Curitiba e das milhares de vezes que eu passava pelo calçadão da Rua XV. Indo pra escola , pra academia, pro inglês. Não era raro ser parada na rua por gente de todas as aparências e sotaques; as abordagens tinham vários fins. Eu gostava mesmo era de ver os jovens poetas, músicos e pintores; estudantes de letras, arte ou mesmo os que faziam o que gostavam.
Eles passavam horas lá a procura de alguém que desse alguma importância ao que para eles era tão importante: sua forma de se exprimir. Sempre entendi isso e por essa razão sempre parava, salvo algumas situações de pressa. Mesmo estudante, super jovem, de uniforme até, eles me mostravam o trabalho deles com a maior atenção e cuidado. Eram impressões simples, xerox, rabiscos ou desenhos. Mas eu adorava prestar atenção naquilo tudo.
A maioria das pessoas fugia dos poetas da rua ou ficava com olhares de soslaio àqueles que paravam. Já ouvi várias críticas aos poetas anônimos da rua XV, não ligo pra elas. No meu post Uma crítica aos críticos eu expresso bem o que penso sobre isso. Era uma espécie de troca: eu dava atenção e algumas moedas e recebia olhares, sorrisos e palavras de agradecimento. Tenho até hoje algumas das obras que fazia questão de levar pra casa. Não estão aqui comigo e faz anos que não as vejo. Mas sabe que eu ainda lembro de um poema. Deve ser de tanto ter lido tentando entender ou achar algum fundamento. Não me pergunte o que significa nem mesmo a intenção do autor, mas era mais ou menos assim:
Entre todas as bombas criadas pelo homem e produzidas por exércitos, prefiro as garrafas vazias de homens embriagados que virão servir de coquetéis molotovs para a derrubada de fronteiras criadas por teus senhores geradores das guerras.



