Educação para o silêncio

Não é de agora que esse assunto me causa espanto. Mais agora em que chegou a hora de procurar uma escola para a Lana.

A educação japonesa é bastante peculiar, foge de tudo que temos como conceito de psicologia, pedagogia, didática ou o que-quer-que seja em se tratando de educação. O rigor é enorme e a repressão ao erro é tamanha que cria estudantes calados, amedontrados, introvertidos. Não, não é impressão minha. Sou professora e em minhas aulas estão simultaneamente crianças de escolas estrangeiras e japonesas. Aí é que está a grande sacada: é notável a diferença em termos de alegria, união, companheirismo, coletividade.

A educação japonesa se esnoba por seu rigor, por ter “crianças adultas” que sabem fazer tudo sozinhas desde cedo. Até mesmo disfarçar seus sentimentos e emoções, reprimidos por motivo de honra, ou vergonha, depende do ponto de vista.

As brincadeiras infantis consistem em fazer uma rodinha e cada um ficar no seu game (aqueles de bolso). Ou fazer desenhos de luta, negros, acinzentados… Ou ainda colocar besouros para brigar entre si. Ou ainda, sair para caçar animais e insetos. Comum é encontrarmos na sessão infantil das lojas redes de caça, arapucas e outros apetrechos para caçar e “guardar” os bichinhos.

Arriscar uma alternativa é uma escolha equivocada. Se não sabe, não fale. Nas minhas aulas de dança, quando a atividade é criação surgem as barreiras. O simples medo da repressão de errar ou arriscar algo novo, diferente faz com que a criança se envolva em um mundo de ostracismo, com uma mente brilhante de conhecimento mas opaca para viajar pela imaginação.

Não acho que devemos obrigar as crianças a comerem o que não gostam, uma boa conversa e doses de criatividade resolvem tudo. Não acho que as aulas devam ser de segunda a segunda para que se acumule conhecimento, não acho que devemos fazê-las ir sozinhas até a escola para mostrar independência (isso para os pequenininhos! acredite! e mais: a escola é longe!), não acho que castigá-las com humilhação, agressão física seja o caminho para a educação perfeita.

Não é a toa que o Japão lidera a lista de maior índice de suicídio juvenil do mundo. Não é a toa que estou realmente preocupada em colocar a Lana na escola.

Não significa que a escola só tenha coisas ruins, tem muitos atrativos, aulas variadas de música, arte, esportes… Mas a formação psicológica é que me preocupa. Uma vez desenvolvida o trabalho pra consertar é sempre bem maior do que já fazer ceto desde o princípio.

Comments

  1. Marina Otani says:

    muito justificável sua preocupação,eu apesar de ser descendente,
    também compactuo das tuas opiniões, e acho que a educação
    pode ser libertadora ou repressora, embora acultura nipônica tenha
    grandes méritos, peca pelo excesso neste quesito em relação aos
    menores. Sinto pena de ver a liberdade de criar e a expressão individual abafada em nome de um pensamento massificador e
    robotizado. Paciente em processo analítico e ou de terapia aprendem
    muitas vezes, pelos erros a encontrar as respostas e muitas vezes eh
    no processo de tentar,errar,consertar que se obtêm crescimento e
    amadurecimento.

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